Opinião: Balanço de 2021 e perspectivas para 2022 no sector da Arquitectura

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RUI PINTO GONÇALVES

RRJ Arquitectos

2021 foi, sem dúvida, um ano invulgar para o mundo e para a nossa atividade. O início do ano foi relativamente animador (muitos dos trabalhos já estavam licenciados e, portanto, as obras seguiram o seu curso normal) mas o panorama veio a alterar-se, aumentando a incerteza e imprevisibilidade quanto ao futuro próximo. Em minha opinião, existem três fatores que em muito estão a contribuir para este cenário:
• A mudança na nossa forma de viver
A pandemia alterou a nossa vida pessoal e laboral, originando novas realidades, necessidades e inseguranças associadas. Várias atividades adaptaram-se ao confinamento e ao teletrabalho, permitindo aos seus colaboradores trocar a proximidade física ao local de trabalho por uma casa mais longe, com menor preço por m2 e maior qualidade de vida. O aumento da procura de casas com espaço exterior e com um recanto onde se possa trabalhar está a incentivar promotores e arquitetos a alterarem os conceitos tradicionais dos típicos T1, T2, T3, de modo a darem respostas às novas necessidades do mercado.
• O continuado aumento do custo da construção
Esta tendência tem levado também ao cancelamento, adiamento e/ou reposicionamento de vários projetos e em minha opinião é motivada por:
1. A crise do subprime levou ao desaparecimento de vários subempreiteiros e à emigração da mão de obra especializada que para voltar exigiu salários de referência mais altos.
2. O interesse internacional pelo imobiliário português desencadeou um forte aumento do lado da procura no mercado da construção civil em Portugal.
3. O processo de normalização da atividade económica mundial pós-pandemia está atrasado, originando escassez de matérias, produtos e serviços, com a consequente pressão para o aumento generalizado dos preços.
4. O aumento do preço de venda das casas verificado nos últimos anos permitiu acomodar alguma desta pressão para o aumento do custo de construção, criando uma folga para a redistribuição a vários níveis da cadeia de valor – mas todos as outras variáveis também estão em processo de ajustamento, como por exemplo a comissão de mediação habitual aumentou de 3% para 5% ou os preços de aquisição dos imóveis para promoção.
• O travão no turismo
O impacto negativo provocado pelos sucessivos lockdowns e a crescente complexidade para viajar estão a atrasar investimentos diretos e indiretos nesta área. Este ambiente pesa na hora de decidir e retarda o investimento imobiliário. Com a evolução do combate ao COVID, espero que a economia retome a atividade a 100%, fazendo com que a oferta de matérias, produtos e serviços normalize e, por conseguinte, desapareça a atual pressão sobre os respetivos preços. Só assim, o mundo dos projetos terá mais atividade num futuro próximo!

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