OPINIÃO: UM FUTURO DIFERENTE PARA A CONSULTORIA DE ARQUITETURA E ENGENHARIA

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JOÃO CARVALHO
Gestor do Departamento Comercial e Marketing da TPF Consultores

Gostaria de dizer que foi um ano diferente, mas não foi. Na verdade, foi mais um ano normal de contexto pandémico. Continuamos, pelo segundo ano, sob os efeitos da COVID-19, que não se vislumbra terminar tão cedo de afetar a nossa atividade, quer de forma direta, quer de forma indireta,  em todos os mercados, seja o nacional ou o internacional, obrigando-nos a repensar que estratégia seguir para o futuro.
Assim o fizemos ao longo de 2021, como parte da visão mundial do GRUPO TPF, cuja estratégia se baseia na constante partilha de informação, fator chave que nos permite, a nós TPF Consultores, trabalhar, em antecipação, cenários de desenvolvimento onde a multidisciplinaridade setorial e internacional da capacidade da nossa atuação nos leva a investir ou desinvestir em determinado mercado/região. Desta forma, a estratégia a seguir e, sobretudo, a sua implementação, não esperam para ver o que advém de situações anómalas, como a que tem sucedido nestes dois últimos anos.
Especificamente para o mercado português, a mesma abordagem não se faz sentir em muita da consultoria nacional, o que veio degradar, e de que modo, as condições de muitos contratos e muita da qualidade com que são realizados os trabalhos, dada a “selvagem” concorrência instalada entre os pares, diria que, quase num contexto de sobrevivência. Não podemos apontar o dedo aos pretensamente culpados, dado que todos lutamos diariamente por atingir os nossos objetivos, mas constata-se que o setor da consultoria está muito degradado em termos de confiança, a merecer reflexão pelos próprios e pelas Associações que os representam, sejam da parte dos Consultores, seja da parte dos Clientes.
Na realidade, o que sentimos é que o Cliente contribui, incompreensivelmente, para este contexto de “selva” do mercado nacional, dado que, ao comprar por tostões exigindo milhões, só potencia, por culpa própria, futuras desilusões, litigância e custos acrescidos.
Uma das palavras-chave tem sido “resiliência”, mas há que valorizá-la nas Empresas e, fundamentalmente, nos seus Colaboradores, enquanto nova realidade persistente, pese embora toda as dificuldades inerentes a um ano que se queria, no mínimo, diferente do anterior para melhor e não o foi. Houve, e continuará a ser necessário no futuro, apelo a novas metodologias de trabalho, com forte incremento de inovação em muitos dos procedimentos, com custos adicionais associados que necessitam de ser forçosamente incluídos nos processos produtivos, e adequadamente pagos.
Por fim, uma palavra de esperança para o mercado nacional de curto prazo, muito assente num “PORTUGAL 2030”, ainda por saber como evoluirá pós-eleições legislativas, e no PRR, que neste momento é motivacional e alimenta grandes espectativas nos nossos setores da consultoria.
É fundamental que a sua concretização não venha a sofrer de alguns dos habituais males, quase endémicos, que não conseguimos superar, de investimento desperdiçado e de oportunidades continuamente perdidas. A ver vamos os resultados, não só dos níveis de concretização, no prazo que rapidamente se irá escoar, mas também da efetiva, ou eventual, importância de cada ação das vinte componentes do PRR para o desenvolvimento do País.

 

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