Ventilação – o calcanhar de Aquiles na eficiência energética dos edifícios de habitação

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Mesmo para os que não acreditam que a atividade humana está na base das alterações climáticas, é quase consensual que todos temos que trabalhar para deixarmos um Mundo melhor e mais saudável às próximas gerações.

De acordo com a respeitada ONG Architecture 2030, cerca de 40% de todos os gases com efeito de estufa (GEE) são emitidos pelos edifícios. Para conseguirmos minimizar este impacto temos de evoluir para que os nossos edifícios tenham necessidades quase nulas de energia (NZEB).

Com esta preocupação em mente, muito se evoluiu no design de casas, no uso de materiais mais isolantes e na eficiência dos equipamentos de climatização. As casas novas/reabilitadas são hoje em dia estanques, térmicamente confortáveis e energéticamente eficientes.

Estas melhorias trouxeram, no entanto, uma consequência inconveniente.Como as casas são estanques, fica muito dificil conseguir uma ventilação natural automática suficientemente eficaz e, se não forem tomadas medidas não se consegue obter o conforto necessário na qualidade do ar ambiente.

Atualmente, a grande maioria das soluções de ventilação instaladas em habitações são uma pedra no sapato na tentativa de tornar os edifícios energeticamente mais eficientes. Diversos relatórios de Certificados Energéticos de habitações recentes com classificação energética A+ revelam que cerca de 40% das perdas de calor no inverno resultem da ventilação.

Existem no entanto soluções para endereçar o tema, sendo importante e urgente que se comece a considerar a ventilação com recuperação de calor como a solução base de qualquer projeto de ventilação para habitações.

O novo Dec-Lei nº 101-D/2020 de 7 de dezembro, que entrou em vigor no dia 1 de julho de 2021, dá um bom passo de partida, reforçando a importância da recuperação de calor na ventilação de habitações, mas não é suficiente.

Sendo naturalmente soluções mais dispendiosas para o consumidor final é essencial que se criem mecanismos que as tornem mais acessíveis como por exemplo a inclusão no programa Edifícios + Sustentáveis do Fundo Ambiental. É também importante que as soluções disponíveis sejam fáceis de instalar em edifícios existentes, já que vão continuar a ser a grande maioria do parque habitacional no médio prazo.

É com estes desafios que acreditamos que o futuro está na ventilação descentralizada com recuperação de calor e inteligente.

  • Sendo uma solução de construção menos invasiva e sem recurso a condutas, é mais simples de instalar que as soluções centralizadas
  • Com os equipamentos de ultima geração permite uma alta eficiência na recuperação de calor (até 96%) e muito baixo consumo de energia elétrica (<0,01€/dia)
  • Permite um funcionamento inteligente, de acordo com níveis de humidade, odores ou CO2
  • Preserva o conforto acústico, sendo praticamente inaudível e com forte atenuação acústica do ruído exterior

Para garantir que a ventilação necessária, confortável, térmicamente eficiente, com recuperação de calor, com conforto acústico, sem correntes de ar e imperceptível, há que garantir que os dois pilares da ventilação na habitação sejam respeitados:

  1. Ventilar tanto quanto necessário mas,
  2. Tão pouco quanto possível

A ventilação descentralizada com recuperação de calor e inteligente na sua forma de controlo e comando é uma solução já com grande sucesso em muitos países e que começa a ganhar espaço em Portugal. Acreditamos que nos próximos anos se acelere a sua implementação, contribuindo para resolver um dos principais problemas da eficiência energética nos edifícios de habitação, melhorando a QAI e o conforto dos seus habitantes.

Contactos:

António Ravara Bello
[email protected]

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