Edifício Conde de Aurora

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Trata-se de um desafio de monta -no contexto dos loteamentos que encontramos na periferia das cidades- criar um sentido de rua, estruturado e orgânico, tal como o reconhecemos em tecido urbano consolidado e bem-sucedido. A complexidade está ainda ausente e a própria organização destes lotes geralmente favorece a implantação de peças independentes entre si, desconexas, autónomas.

O Edifício Conde de Aurora procura deixar a semente para um conjunto que reinterpreta o desenho do loteamento prévio de uma forma que, por um lado, responde à envolvente, procurando alinhamentos volumétricos e enfiamentos visuais preexistentes e, pelo outro, abre caminho ao estabelecimento de continuidades e de relações mais ricas com futuras intervenções nos lotes vizinhos.

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Para esse sentido, é necessário que o edifício possa participar ativamente no espaço público, quer no prolongamento do seu programa multifuncional para espaços de transição como, sobretudo, investindo na qualificação de áreas de uso comum, apagando a fronteira entre a rua e a construção.

Embora o programa exija uma forte racionalização do seu desenho, o tratamento da fachada principal quebra esse monolitismo com um delicado jogo de luz e sombra, sugerindo panos verticais que, simultaneamente, rompem com o gesto horizontal abstrato das varandas -criando uma estimulante contradição entre estes dois dispositivos formais, variável com a luz: às vezes mais discreta, outras vezes mais afirmativa- mas fazem também uma citação aos ritmos verticais próprios das ruas densas dos centros consolidados.

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Este diálogo compõe o tema a partir do qual a caixa de escadas do corpo norte se destaca, desenhando um marco que recebe pistas das construções vizinhas e que remata a rua que vem no seu enfiamento.

Deixando pistas para futuras ocupações, o Edifício Conde de Aurora é um ponto de partida para dotar a rua de um sentido mais urbano, integrado, complexo e orgânico, usando a luz e o desenho para transformar uma matriz repetida num objeto rico e de grande leveza.

FICHA TÉCNICA
Arquitetura:
Tiago do Vale Arquitectos
Equipa de Projeto: Tiago do Vale, Adriana Gonçalves, Clementina Silva, com Hugo Quintela
Ano de Projeto: 2020-2021
Área de Implantação: 1247 m2
Área de Construção: 4919 m2

Designação: Edifício Conde de Aurora
Função: Habitação Multifamiliar, Comércio e Serviços
Localização: Ponte de Lima, Portugal
Dono de Obra: Rio Sul L.da
Data conclusão da obra: 2021

 

Imagem GabineteUntitled-1TIAGO DO VALE ARQUITECTOS – Arquitecto pela Universidade de Coimbra, Pós-Graduado em Estudos Avançados em Património Arquitectónico pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto.
Editor do livro “Urban Complex” da Design Media Publishing.
Jurado das edições de 2016 e 2017 dos Prémios DAS (Moldávia).
Jurado das edições de 2016 e 2017 do Prémio João de Almada (Portugal).
Jurado do Architecture MasterPrize desde 2020 (Estados Unidos da América).
Jurado dos Muse Design Awards desde 2020 (Estados Unidos da América).
Jurado dos Muse Hotel Awards desde 2020 (Estados Unidos da América).
Comissário dos “Diálogos Urbanos, Jornadas Internacionais de Arquitetura” em 2014 (Portugal).
Comissário das edições de 2015, 2016, 2017, 2018 e 2019 das “Mesturas, Encontros Internacionais de Arquitectura Galiza-Portugal” (Espanha e Portugal).
Entre outros:
2020 DNA Paris Design Awards, Primeiro Prémio
2019 Architecture Masterprize, Gabinete do Ano
2019 Muse Design Awards, Prémio de Platina e Duplo Prémio de Ouro
2018 Blueprint Awards, Primeiro Prémio
2018 Architizer A+Awards, Duplo Primeiro Prémio
2017 American Architecture Prize, Primeiro Prémio
2015 Architizer A+Awards, Primeiro Prémio
2014 ArchDaily Building of the Year Awards, Primeiro Prémio

Projetos em Carteira:
– Edifício Conde da Aurora;
– Palacete Ayres d’Abreu;
– Fábrica de Botões Porto.

GABINETE PROJECTISTA:

TIAGO DO VALE ARQUITECTOS

 

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