OPINIÃO: PORQUE O TURISMO AUMENTA E OS TURISTAS MERECEM

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SARA AFONSO
Empresária/ Arquitecta

 

Portugal; the gem of Europe. A culture that reflects the fondness of home. I have walked the streets of Lisbon, and felt the ‘saudade’ that spoke to me from the street art, reflecting a deep-seated tenderness of the country’s history and heritage. I have cried listening to ‘Fado’ when words have failed me.
The country’s landscapes and beaches extend their warmest welcome offering an array of food and wine that lingers as a memory I keep in me eternally. The people’s sincerity and hospitality is genuine, holding their country in the highest regard and always looking forward to welcoming you.
Portugal is a feeling.
Afaf Hashim

O testemunho acima é um dos muitos que lemos e ouvimos com frequência, quem nos visita rende-se à nossa História, arquitetura, paisagens, gastronomia, vinhos e, sobretudo, à nossa forma de estar e sentir.

Assim, temos o dever acrescido de lhes proporcionar o melhor e hoje, mais do que nunca, o turista procura o todo em cada “pacote de viagem” e este todo é muito, vai muito além do sol, praias e boa mesa. Atualmente o turista tem exigências que vão muito além do que os próprios definem em consciência.

O ritmo alucinante em que vivemos cria estados de ansiedade e tensão que, por vezes, os próprios não identificam, apenas se sentem cansados…

Logo, coloca-se a importância de pensar profundamente a forma de proporcionar bem-estar físico e psíquico a quem viaja, em conjunto com tudo o resto – cultura, lazer, diversão, alegria, boa mesa, silêncio ou ruído… todas as alternativas em cada opção pessoal e ou familiar. Sim, cada cabeça é um mundo e cada família opta em função dos seus objetivos e gostos.

É sabido como o meio ambiente influencia o estado emocional, físico e psíquico do ser humano, sempre, em qualquer circunstância, seja no trabalho ou no período destinado ao descanso, seja em férias mais prolongadas ou numa pequena “escapadinha” para repor energias.

Eis porque muito se fala atualmente em Biofilia na arquitectura e neurociencia. Não é mais do que a crescente preocupação de respeitarmos a essência dos locais, de usarmos materias naturais, termos preocupação com a ventilação natural dos espaços e a sua orientação solar. Tudo é importante quando o tema é bem-estar e saúde.

E isto porquê? Porque o nosso organismo se regula pela luz solar, adapta-se ao meio ambiente e equilibra-se de acordo com a envolvência. Se precisamos de mais ou menos energia, a nossa retina adapta-se à intensidade da luz e é assim em quase tudo. Percebemos assim a importância a dar a todos os detalhes que possam influenciar este auto equilíbrio que previne doenças e proporciona bem-estar.

Os estudos estão feitos, só temos de cumprir com o que os investigadores nos indicam:

Por exemplo, estudos apontam que alunos em salas de aula com maior entrada de luz natural têm performance elevada em comparação com alunos em salas iluminadas artificialmente (Hechong et al, 2013; Baloch et al, 2020). Nos escritórios, trabalhadores com mais acesso a janelas tem duração do sono mais longa (Boubekri, 2014) e efeitos positivos na performance , além da diminuição de fadiga ocular e dores de cabeça (Hedge, 2018).

Então porque não acontece sempre assim?

Claramente porque os custos pesam!

O desafio é arranjar soluções economicamente vantajosas, compatíveis com as novas descobertas para melhorar as condições e exigências  humanas e que sejam mais saudáveis.

Pergunto, novamente, porquê? A resposta está no site do Turismo de Portugal:

“O setor do turismo é uma atividade económica fundamental para a geração de riqueza e emprego em Portugal.”

Concluímos, assim, que é mesmo necessário! Porque o turismo aumenta e os turistas merecem o melhor ao procurar Portugal como destino.

A chave está em desbloquear o preconceito de que os materiais naturais são mais caros, que a sustentabilidade ambiental é incompatível com a sustentabilidade económica, desburocratizar o sistema e deixar o investimento no turismo fluir.

Portugal tem sabido dar as respostas certas às novas exigências, não poderá deixar de o fazer nestes aspetos fundamentais, sob pena de perder o que levou anos a conquistar pela qualidade.

 

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