“O mundo digital inspira-se nas construções reais”?

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O planeta segue o seu processo de construção, a humanidade está aplicada a este trabalho árduo desde os seus primórdios. Todas as edificações seguem em constante atualização e aperfeiçoamento. As cidades, casas, escolas, hospitais, cinemas, centros comerciais e afins são quase um organismo vivo em constante evolução e ganha novas formas e novos ambientes.

Por outro lado, o mundo no seu formato digital tem muitos menos anos de existência e de trabalho. No entanto, a velocidade de construção desse universo digital é exorbitante e as edificações físicas — ou melhor, as suas funções — são reproduzidas na internet de forma eficaz e já conta com uma grande lista de adeptos.

Por exemplo, a nossa casa, a edificação onde estamos seguros e com a nossa família, talvez seja a última fronteira, pois nada igual a ela foi recriada na rede mundial de computadores, por enquanto… A criação do novo projeto de Mark Zuckerberg, o Meta (metaverso), pretende recriar todo o mundo real numa versão digital completa. E o “tudo” inclui ter uma casa digital.

O ambiente estudantil, as instituições de ensino e a sala de aula migraram progressivamente para o ambiente online. Essa fusão não é de todo uma surpresa, com a imensa quantidade de conteúdos educativos e informativos que engloba a rede e a velocidade para aceder à informação. Dado o cenário, muitas universidades contam com uma série de cursos que podem ser frequentados de forma remota, contando com a conexão à internet como ponte entre aluno e professor.

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A medicina, prática essencialmente presencial, também se vai apoderando de facilidades disponíveis no mundo digital. O “consultório online” começa a tomar forma através de sites e aplicações, os pacientes podem contactar médicos e enfermeiros para relatar os sintomas e receber um diagnóstico à distância. A medicina conectada popularizou-se nos últimos anos e tem-se mostrado um facilitador para pessoas com severas dificuldades de locomoção, e uma forma segura de tratar doenças altamente contagiosas.

Os bancos também já não são os mesmos, as aplicações de telemóveis são a ponte para o futuro no setor bancário. Realizar pagamentos, transferências e consultar o saldo são atividades que anteriormente exigiam presença física numa agência, e essa ação quase sempre envolvia perder tempo de espera numa fila. A digitalização trouxe diversas facilidades e, sem dúvida, aliviou o sistema com a diminuição das burocracias.

No terreno das construções direcionada para ambientes de entretenimento e descontração, estão os centros comerciais, os cinemas, os campos de futebol e os casinos. Os shoppings, um nome estrangeiro para os centros comerciais, são projetados para acolher lojas, restaurantes e cinemas, formando assim um complexo completamente integrado e com ofertas por todas as partes.

No mundo virtual, o centro comercial foi dividido em diferentes plataformas, nenhuma delas integra totalmente as funcionalidades.

No entanto, a que mais se aproxima é a Amazon, o maior market place do mundo que oferece absolutamente todas as categorias de produtos, desde roupa de desporto, passando por estátuas para interiores e jardim, uma vasta oferta de alimentos — para humanos e animais — e uma imensa variedade de produtos para o mundo gaming.

Além disso, a empresa comandada por Jeff Bezos é também dona das plataformas de streaming Amazon Prime (filmes, séries e documentários) e da Twitch (transmissões em direto de videojogos e um forte canal dos influenciadores). De uma forma muito simples, pode-se dizer que as empresas “Amazon” são um grande centro comercial formado por lojas e cinemas.

No âmbito dos casinos, que ocupam um lugar especial no imaginário popular como local cheio de luzes ou glamour, esta transformação digital também se sente. Geralmente, quando surge o tema, a primeira imagem que vem à mente é Las Vegas. No entanto, não menospreze Portugal, que conta com casinos que são belas obras arquitetónicas. No mundo digital, o espetáculo arquitetónico dos casinos é incorporado e disponibilizado não apenas em partidas de poker e torneios semelhantes aos grandes celebrados em Las Vegas, mas também em ambientes 3D com óculos de realidade virtual, onde as partidas são disputadas em casinos, num iate ou até mesmo no espaço.

Está claro que as construções reais vão ganhando estruturas digitais para manter as suas funções — em muitos e muitos casos essenciais — na internet.

No entanto, a transformação digital segue em velocidade acelerada e atividades antes custosas agora são realizadas através dos ecrãs de telemóveis e computadores.

Em suma, a arquitetura seguirá a ser um pilar de imponência e beleza da sociedade, no entanto, a divisão de funções com o campo digital já é uma realidade inevitável.

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