OPINIÃO: Máquinas da paz… Guerra em cena?

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FLÁVIO TIRONE

ARQUITECTO
ARSUNA – ESTÚDIO DE ARQUITECTURA E ARTES CÉNICAS, LDA

A paz é fruto da convivência (por oposição à “contra vivência”) entre humanos. Foi para preservar essa joia que a humanidade “inventou” a democracia, conhecida como o “menos mau” sistema sociopolítico de todos.

Parte intrínseca e inquestionável dessa convivência é a interação cultural, ou seja, o proporcionar de encontros ao vivo, virtuais, escritos ou desenhados entre as pessoas e entre os povos. Queremos dar-nos a conhecer e queremos conhecer os outros. Tudo isto no pleno respeito e na plena aceitação mútua. E é a partir daí que se criam condições para a evolução, para a miscigenação, afinal, para a convivência.

Nesta interação cultural entre seres humanos, organizados em sociedade há já alguns milénios, o espetáculo tem um papel de destaque.

Que o espetáculo ao vivo faz renascer, e que a guerra mata é uma evidência inútil de contrariar.

Curiosamente, há registo que as mesmas empresas que em tempos idos fizeram tanques, aviões, submarinos e outras monstruosidades bélicas, fazem hoje sistemas tecnológicos para os palcos.

O teatro pode ser a arma mais esclarecida contra a guerra. Cultura e educação são os pilares da paz pois produzem espíritos livres e independentes dando-lhes as ferramentas necessárias à vida em comunidade e em sociedade. A arquitetura e a arquitetura de cena fazem parte dos instrumentos da paz e da evolução, até porque são atividades literalmente construtivas.

Só a ignorância ou a loucura levam à violência, sendo a guerra a sua expressão mais abjeta.

Numa fase de evolução humana em que se procura a sustentabilidade do planeta para garantir a subsistência das espécies, que requer um esforço multilateral e uma entrega incondicional de todos, uma guerra representa um passo em falso e um retrocesso incalculável.

Estamos todos focados na poupança no consumo de energia vistos os elevados custos ambientais para a sua produção, ainda fortemente dependente de carburantes que emitem gases que provocam efeito de estufa ou que produzem lixo radioativo que perdura durante 25.000 anos!

Tanto assim é, que em apenas 10 anos se fez a transição da iluminação convencional para LED, reduzindo o impacto energético dessa comodidade social em quase 90%.

Em cena foram implementadas mais medidas que se relacionam com a sustentabilidade do planeta e dos que o habitam.

A Poupança no consumo de energia foi conseguida através do “relamping” na iluminação cénica. Anteriormente este setor cénico era responsável por mais de 70% dos custos em infraestrutura cénica e em consumo de energia em espetáculo.

A quantidade de circuitos disponíveis para iluminar uma peça de teatro ou de dança foi racionalizada de modo que hoje tudo se afina com muito menos consumo e infraestrutura.

A qualidade do trabalho é hoje melhor do que há apenas 10 anos graças à implementação de sistemas de suspensão motorizados com comandos automatizados. Os riscos de lesão, acidente ou o desgaste físico e psíquico nos operadores cénicos reduziu de tal forma que já é raro encontrar um “maquinista” que queira trabalhar com sistemas contrapesados.

Para o bom funcionamento destes equipamentos culturais há que projetar em consciência e com qualidade. Também neste setor se tem visto uma evolução evidente que veio alargar o espectro de influência positiva sobre nós todos.

Estas novas condições no setor dos bastidores proporciona e potencia a transmissão da mensagem de paz, através do espetáculo.

A guerra aparece sempre pela ausência da procura de convivência, aparece pela vontade de “contra vivência”.

Quem dirige uma comunidade inteira, um povo, à guerra?

Até poderá ser astuto e pleno de conhecimento. Infelizmente não sabe canalizar de forma positiva esse conhecimento, demonstrando uma triste falta de inteligência. Não será certamente um ser culto, educado ou que mereça respeito humano.

 

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