OPINIÃO: BALANÇO DE 2021

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FERNANDO PRIOSTE
CEO da COBA

O ano de 2021 foi, de certa forma, um ano atípico para a COBA. Não tendo sido um ano de forte crescimento, naturalmente condicionado pelas limitações impostas pela pandemia que afetou ainda de forma significativa o normal desenvolvimento da atividade no exterior, a recuperação do mercado nacional permitiu equilibrar os resultados e robustecer a carteira de encomendas. Sendo inquestionável a retoma da atividade em todo o setor, permanecem, a curto prazo, desafios que importa ultrapassar. A atuação das empresas, ávidas no fortalecimento da sua carteira de trabalhos e muito condicionadas pelo modelo de contratação que predomina no setor público em Portugal, privilegiando o fator preço em detrimento da qualidade do serviço e sem qualquer consideração pela capacidade e robustez das empresas, conduziu à constituição de carteiras de encomendas que dificilmente resistirão à alteração das condições do mercado. A falta de mão de obra e o previsível aumento da necessidade de serviços de engenharia para fazer face aos desafios do PRR e no PNI 2030, levarão fatalmente a um desequilíbrio entre a oferta e a procura de mão de obra especializada, com repercussões diretas no seu custo e, consequentemente, na capacidade das empresas em executar os contratos angariados com base em orçamentos marginalmente positivos. A debilidade económica de algumas empresas do setor não se coaduna com uma carteira de qualidade reduzida, angariada à custa de preços baixos. Se, por um lado, o aumento das oportunidades é positivo para o setor, por outro, o consequente incremento do custo da mão de obra decorrente do aumento da procura, levará a uma debandada de quadros das empresas cujo modelo de negócio assenta na contratação pelo “preço mais baixo” com consequências diretas na qualidade dos projetos e nos seus prazos de execução. Prestes a completar o seu 60º aniversário, ao longo da sua história, a COBA viveu várias crises, sendo que esta última, provocada pela pandemia, é apenas mais uma. A sua resiliência, capacidade de adaptação e o seu forte pendor exportador permitiram, ao longo destas seis décadas, ultrapassar os vários ciclos económicos, encontrando-se hoje capaz de dar resposta aos maiores desafios que o país enfrenta. Às entidades públicas, pede-se a criação de condições que permitam reduzir as barreiras na contratação e a sua desburocratização, sem que com isso se reduza a transparência. A mobilidade de quadros e a redução dos entraves à imigração de mão de obra qualificada são fundamentais para o crescimento da economia. Acreditamos pois que o mercado está suficientemente maduro para que estejam identificadas as principais questões que objetivamente limitam o crescimento e sustentabilidade das empresas portuguesas quando operam em mercado nacional. A execução dos planos previstos implica um aumento substancial da capacidade de resposta, pelo que é imprescindível reduzir as ineficiências dos modelos de contratação em vigor, permitindo um crescimento sustentado do sector e viabilizando assim o sucesso dos programas e, por essa via, o desenvolvimento do nosso país.

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