OPINIÃO: PERSPETIVAS PARA 2022 NO SECTOR DA ARQUITETURA

Arsuna Flavio

Flávio Tirone

ARSUNA – ESTÚDIO DE ARQUITECTURA E ARTES CÉNICAS, LDA

Em 2027 uma cidade portuguesa será Capital Europeia da Cultura (CEC). Urge saber qual pois em apenas 5 anos um plano urbano e os respetivos projetos dos equipamentos urbanos e a implementação das infraestruturas necessários para o efeito terão de ser elaborados e constituídos. Esse será um ano de eventos que irão homenagear a cultura. A vertente cultural basilar, como o Teatro, a Dança, a Musica, a Arte Plástica, o Conhecimento e a Ciência, será elevada graças a intervenções em áreas de cultura presente e futura, como a mobilidade, a sustentabilidade e a evolução social. E é no âmbito dos conteúdos culturais duradouros que está a Arquitetura. Existirá um equilíbrio dinamizador do desenvolvimento entre eventos etéreos, que passarão a fazer parte do espólio da memória de cada um de nós, e intervenções permanentes, que serão o espólio material. Nesta fase que a humanidade atravessa não há margem para falhar. Todos os atos arquitetónicos têm de ser plenos. A vertente da cultura é vital para o futuro sustentável da evolução da nossa sociedade. Temos de abraçar esta oportunidade que nos será proporcionada de investir neste país que continua na sua curva ascendente e adolescente de uma democracia recente. Devemos ter como objetivo a “maturidade”, com as infraestruturas bem implementadas, para podermos olhar o horizonte com confiança. CEC significa assimilar e mostrar o que nos identifica, uma simbiose entre a nossa cultura e o território que habitamos e a dos povos europeus e seus territórios. Será um dos elementos chave nos acontecimentos da arquitetura neste próximo ano em que mais de dez cidades se candidataram e pretendem intervir no seu tecido urbano mirando a uma maturidade social e cultural, tão necessária ao bem-estar dos seus cidadãos. Um evento como a CEC é sempre marcante para o presente e para o futuro. Todas as Cidades candidatas precisam desse impulso para se desenvolverem. Para além do plano urbanístico e dos edifícios existentes ou por erigir, que serão a espinha dorsal do evento, será primordial garantir que 2027 seja apenas o primeiro ano do futuro da cidade nomeada. Oxalá todas as candidatas desenvolvam os seus planos, mesmo aquelas a que a nomeação não venha a ser atribuída. Das várias candidaturas apresentadas destaca-se a de Coimbra pelo seu conteúdo, pela sua comunicação e pelo envolvimento com os seus cidadãos. A CIM-RC – comunidade intermunicipal da região de Coimbra – coordena o território de cerca de meio milhão de habitantes e apoiou de maneira intensa a candidatura tanto do ponto de vista participativo como do ponto de vista dos conteúdos culturais. Coordenada por um GT – grupo de trabalho – multidisciplinar, proveniente de distintas áreas da cultura, a candidatura foi desenvolvida ao longo de três anos e meio em que foram ouvidos não apenas as instituições, com especial atenção dada às relacionadas com a cultura, mas muitos dos cidadãos da CIM, o que torna esta uma candidatura diagonal e pública. Durante esse período foi desenvolvido um Plano de Intervenção Urbana à luz de Coimbra Capital Europeia da Cultura 2027 sob o tema CIDADE DA CULTURA – CULTURA DA CIDADE. Finalmente foi apresentado o BID BOOK, que é a proposta de concurso, ou seja, a candidatura, num evento inclusivo e exposto à comunidade e aos média. Será uma candidatura que fará a diferença para uma região inteira do país. Estranhamente preterida em oportunidades anteriores de ter sido Capital Europeia da Cultura, quando estas eram nomeadas pelo governo central, está agora a assumir o seu papel de berço da cultura portuguesa sendo que não só merece como precisa da nomeação para equilibrar o centro do país, que abrange cerca de 2 milhões de pessoas, no seu território, na população que o habita e nos equipamentos e infraestruturas culturais que veio implementando e dos que necessita para continuar a evoluir.

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