Opinião: Cidades e edifícios na crise climática

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Os fenómenos climáticos extremos que têm sucedido um pouco por todo o mundo são, com clareza científica, resultado das mudanças climáticas. A 21ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP21), que teve lugar em Paris, em 2015, foi, indiscutivelmente, um momento histórico no qual foi assinado o Acordo de Paris, o qual estabeleceu, como
uma das suas ambições de longo prazo, de acordo com o relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), a limitação do aumento da temperatura média global a níveis abaixo dos 2ºC acima dos níveis pré-industriais e prosseguir esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC, reconhecendo que isso reduzirá, significativamente, os riscos e impactos resultantes das imprevisibilidades futuras das alterações climáticas. Sendo inevitável que, à escala global, a crise climática apresenta-se como o grande desafio das cidades do séc. XXI, urge a necessidade de incorporação, nas políticas urbanas, medidas urgentes de adaptação e mitigação às mudanças que se expectam, num compromisso que deverá ser assumido e partilhado numa perspectiva multissectorial e multidimensional. No contexto actual que caracteriza o mundo contemporâneo, originado por um ambiente de vulnerabilidade dos territórios e do ambiente construído, os desafios deverão transformar-se em oportunidades que promovam princípios para um desenvolvimento urbano sustentável, socialmente inclusivo, economicamente competitivo e ambientalmente regenerativo. O crescimento exponencial da população que se prevê nos centros urbanos até 2050 leva a um inevitável comprometimento para uma gestão integrada do território e para a criação de novos precedentes na concepção e construção de novos edifícios assim como na reabilitação do edificado existente. Reconhecendo-se a importância do sector da construção na implementação de medidas de mitigação e acções que minimizem os efeitos das alterações climáticas sobre as cidades, pessoas e ambiente, com o objectivo de reduzirem-se as emissões de gases de efeito estufa (GEE) para a atmosfera, os edifícios deverão contribuir para a mudança para um sistema onde podemos regenerar as condições naturais, eliminar resíduos e poluição e manter os materiais em uso por muito mais tempo, excedendo os padrões actuais. A conjugação de tais princípios de circularidade, aliados com premissas que orientem para um eficiente desempenho energético, terão, seguramente, a capacidade de corresponder com as metas de neutralidade carbónica no horizonte 2030-2050 rumo a uma transição, necessariamente, ecológica.

GABINETE:

MÁRCIO DE CAMPOS | ARCHITECTURE & INTERIOR DESIGN 

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