OPINIÃO: Lajes de betão armado in situ, maciças ou aligeiradas?

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Hugo Ornelas
CEO da Ferca – Engenheiro Civil

No âmbito da elaboração de um projeto de fundações e estruturas, são inúmeros os parâmetros e as condicionantes a levar em linha de conta na hora de decidir entre as opções estruturais adequadas ao desafio em causa. Não só do ponto de vista do seu comportamento, mas também levando em consideração os interesses de todos as partes neste desenvolvimento.
Sendo a estrutura de um edifício parte integrante de um produto comercial cuja conceção e propósito responde a critérios estéticos, funcionais, ambientais, mas também económicos, é fundamental enquadrar todas estas vertentes na estrutura preconizada.
Constituindo as lajes a parte mais significativa dos custos associados à execução da superestrutura, importa, pois, centrar a análise nas opções disponíveis e na sua adequabilidade a cada situação.
Entre as opções para a execução de uma laje em betão armado, a laje maciça, historicamente é a mais comum entre outras razões, pela simplicidade de execução e pela sua versatilidade e adaptabilidade a qualquer geometria. Contudo existiram ao longo dos tempos inúmeras tentativas de destronar a laje maciça do lugar cimeiro que, recorrendo a soluções e materiais inovadores no seu tempo, lograram alguma popularidade no mercado nacional e seguem instaladas em edifícios reconhecidos na comunidade.
Vejamos os seguintes exemplos:
Blocos em betão, bipartidos e fabricados em obra;
Moldes recuperáveis, em fibra de vidro ou polipropileno;
Blocos perdidos em cartão, desdobráveis e montados em obra;
Blocos em betão leve com argila expandida tripartidos;
Blocos EPS integrados num sistema nervurado e perdido;
Blocos quadrados em polipropileno permitindo lâmina inferior de betão;
Na generalidade pode-se dizer que todas estas soluções se afirmavam pela redução no consumo de betão e aço, ainda que resultassem num processo mais complexo e num consumidor de outros recursos, como seja o tempo e a mão-de-obra, à data ambos menos onerosos e mais disponíveis.
Mais recentemente, surgiu o sistema Cobiax, hoje designado Ferca CBX, que integra na laje elipsoides em polipropileno reciclado, instaladas numa grelha metálica especifica, que simula fielmente o comportamento, o processo de cálculo e de execução de uma laje maciça enquanto incorpora as vantagens de uma laje aligeirada.
E efetivamente, por comparação com uma laje maciça e resultando da aplicação do sistema uma laje Ferca CBX apresenta uma redução de peso próprio na zona aligeirada de até 32% e uma redução na inércia da laje de apenas 8 a 11%, o que deriva naturalmente numa melhoria do comportamento da mesma em termos de deformabilidade, redução dos níveis de armadura necessária e na significativa redução de efeitos de retração. Para além da consequente redução de massa com impacto ao nível do comportamento sísmico, elementos verticais e fundações.
Simultaneamente, a laje Ferca CBX permite manter as vantagens de um processo mais célere análogo à execução de uma laje maciça mantendo igualmente as características relativas á resistência ao fogo, comportamento térmico e acústico.
Por outro lado, as lajes aligeiradas convencionais recorrem genericamente a um sistema de nervuras ortogonais que conferem uma redução significativa do peso próprio da laje face à necessária laje maciça para a mesma geometria, contudo, a redução de inércia destas lajes fruto do funcionamento por intermédio de uma secção em “T”, é muito significativa, originando lajes de maior espessura e processos construtivos mais complexos, lentos e onerosos.
Quando comparadas estas lajes com a solução Ferca CBX, verificamos que esta permite a redução de espessuras, a melhoria do comportamento, a obtenção o acabamento final de uma laje maciça e a execução segundo processos mais simples e céleres.
Refira-se ainda que sendo todas as lajes aligeiradas promotoras da redução de consumo de betão, serão em simultâneo catalisadoras da redução de emissões de CO2, fator acrescido no caso do sistema Ferca CBX. Uma vez que as elipsoides são constituídas em 100% por material reciclado que é assim retirado do ambiente e reutilizado numa nova função.
Em suma, as escolhas são ainda diversas e servem propósitos distintos, quando não existem soluções universais que sirvam todos os propósitos, pelo que a avaliação das opções disponíveis no mercado deve ser realizada tendo em conta a ponderação das condições específicas do desafio que o projetista de estruturas enfrenta.

 

 

 

 

 

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