Reabilitação acústica de edifícios – Soluções que resultam

Estudos académicos sobre edifícios construídos após a entrada em vigor do Decreto-lei n.º 129/2002 – primeiro Regulamento dos Requisitos Acústicos dos Edifícios (RRAE) – mostram grande percentagem de casos com deficiente comportamento acústico. Para edifícios anteriores, o cenário será ainda pior.
O momento de uma reabilitação deve ser assim encarado como uma oportunidade de conferir ao edifício, ou parcela intervencionada, características de comportamento acústico adequadas aos padrões de conforto esperado pelos residentes e regulado pelo atual RRAE (Decreto-lei n.º 96/2008).
Não subestimando a necessidade de projetos efetuados por técnicos qualificados, indicamos alguns princípios para fácil cumprimento dos requisitos regulamentares.

Ruídos aéreos
Revista Anteprojectos Outubro 2019 ed 303 pg048bOs 40 a 65 dB de índice mínimo de isolamento a sons aéreos (DnT,w), requeridos em paredes interiores, confinantes com outros fogos ou com zonas comuns de circulação, apenas são atingidos, em construção corrente, mesmo de alvenaria dupla, se for incluído na caixa-de-ar um material absorvente acústico. Em situação de reabilitação, a Fig.1 exemplifica uma solução de reforço de uma parede simples com um pano adicional de gesso cartonado e lã de rocha na caixa de ar, que obteve em ensaio acústico no Laboratório
Nacional de Engenharia Civil (LNEC) um índice de redução sonora Rw = 53 dB.
Revista Anteprojectos Outubro 2019 ed 303 pg048cEste resultado pode ser ainda melhorado, se o pano adicional for uma sandwich formada por dupla placa de gesso cartonado contendo no meio uma membrana acústica pesada e viscoelástica IMPERACOUSTIC 4. A Fig. 2 exemplifica um sistema deste tipo, que obteve em ensaio acústico no LNEC
um índice de redução sonora Rw = 57 dB.

Ruídos de percussão
Quanto ao cumprimento dos 50 dB a 60 dB de índice máximo admitido pelo RRAE para ruídos de percussão (L’nT,w) entre pisos, tal será praticamente inatingível sem a interposição no pavimento de um elemento resiliente.
Revista Anteprojectos Outubro 2019 ed 303 pg048dDeve por isso aproveitar-se o momento de uma reabilitação para incluir um material deste tipo no pavimento. A instalação de um revestimento em soalho flutuante já inclui geralmente uma manta resiliente, mas os resultados são substancialmente melhores quando estas mantas são aplicadas sob uma betonilha flutuante. A Fig. 3 exemplifica uma solução de pavimento com uma betonilha flutuante sobre uma manta compósita de betume e granulado de cortiça, que obteve em ensaio acústico no LNEC um índice de atenuação acústica adicional a ruídos de impacto ΔLn,w=25dB, o que permite, para a totalidade da laje de pavimento reabilitada, a obtenção de índices a ruídos de impacto abaixo de 60 dB e portanto satisfazendo o RRAE para pavimentos entre zonas residenciais.

 

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