Arquitectura – uma profissão a reformular

artigo de opinião joão paciencia

A Revista Anteprojectos tem vindo a dar conhecimento da actividade dos projectistas de Arquitectura e Engenharia,  com maior atenção da minha parte desde o último ano em que lançou o catálogo/livro intitulado QUEM É QUEM, dando de cada gabinete detalhado curriculum dos respectivos intervenientes.

O elevado número de gabinetes aqui registados (300), o número de Arquitectos inscritos na Ordem Profissional rondando os 2.500, sem levar ainda em conta um sem número de outros tantos profissionais não incluídos neste catálogo, nem inscritos na respectiva Ordem, num País como Portugal com cerca de 10 Milhões de habitantes, dos quais poderão existir no activo cerca de metade, darão uma primeira ideia da actividade profissional possível para um qualquer gabinete de projecto.

Pese embora o recente desenvolvimento turístico verificado em Portugal, a criação de Fundos Imobiliários gerindo e promovendo activos entretanto acumulados na Banca, a chegada de muitos investidores internacionais trazendo para as áreas urbanas de Lisboa e Porto, um grande desenvolvimento na actividade do projecto e da construção de edifícios (novos e em reabilitação), vejo a profissão do Arquitecto numa situação algo frágil e a necessitar de uma urgente reformulação.

Desde logo ao nível da Academia, em que a grande quantidade de Escolas Públicas e Privadas que integram o Ensino Superior da Disciplina de Arquitectura, e a sua necessária articulação funcional com as Escolas Superiores de Engenharia que com esta disciplina necessariamente se articulam, passando pelas Respectivas Ordens e pelo rigoroso cumprimento de uma Ética, pela clarificação de regras claras no critério de cálculo de honorários compatíveis com as responsabilidades que cada uma destas actividades é obrigada, pela simplificação processual e legal nas respectivas Entidades Licenciadoras com vista a um menor tempo nas aprovações.

Mas também e ainda ao nivel de um conhecimento necessário progressivamente desenvolvido pelos diferentes profissionais das práticas da boa construção que exige investigação continua, das compatibilizações imprescindíveis na fase de projecto de todas as disciplinas que integram as tarefas de desenhar edifícios, das recentes preocupações ambientais e recursos energéticos, do recurso às novas tecnologias, do conhecimento dos materiais disponíveis no mercado da construção e das suas diferentes aplicações possíveis, da articulação necessária com os profissionais que as vão executar e aplicar em obra.

Conhecimento e treino que exige um trabalho de equipa devidamente organizada em gabinetes, existência continua de trabalho e receitas compatíveis com as responsabilidades correspondentes, o que no quadro traçado no inicio destas breves linhas, se torna progressivamente mais difícil de garantir.

Gabinete:

JOÃO PACIÊNCIA – ARQUITECTURA E PLANEAMENTO URBANO, LDA

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