CENTIEIRA HOUSE – Moradia Unifamiliar para Alojamento Local. Conheça o Atelier aqui!

Revista Anteprojectos - Setembro 2018 - pg16 - 01

A intervenção prevê a requalificação e ampliação de duas moradias unifamiliares com o objetivo de se criar uma unidade habitacional destinada a alojamento local.
Com a crescente desmaterialização do local de trabalho e aumento de migrações associadas a trabalho, lazer e educação, o fluxo de visitantes de longa duração tem vindo a aumentar um pouco por todo o mundo. Estes viajantes procuram um tipo de alojamento que ofereça não só o conforto necessário, mas como um conjunto de experiências ligadas à vida local, começado pelo própria experiência do edifício.
O projecto Centieira House pretende criar um espaço onde diversos perfis de visitantes, com diferentes durações de estadia, possa coabitar e viver uma experiência autêntica. A diversidade de tipologias e relevância dos espaços partilhados pretende criar um ambiente de partilha e coexistência, num espaço renovado e confortável, mantendo a linguagem original e local.
A memória do espaço permanece inalterada. Um volume edificado monolítico evidencia-se na articulação espacial entre ambas as moradias enquanto no logradouro, a tardoz, se desenvolve outro volume edificado que aumenta a área de implantação enfatizando a estrita relação entre o espaço habitacional e o jardim. O impacto desta ampliação na envolvente é minorado através da criação de coberturas ajardinadas, o que transmite, também, uma ambiência única a toda esta unidade para além de contribuir para os objetivos ecológicos estabelecidos para a cidade.
O acesso ao imóvel, feito ao nível da rua, será reestruturado. Sob o varandim que se debruça para a Centieira criam-se espaços técnicos. O piso térreo assegura uma zona de estar comum equipada por kitchenette, uma instalação sanitária social e seis suites, enquanto no piso superior se desenvolvem, ao longo de um corredor, mais cinco suites, através das quais se podem contemplar, acedendo a pequenas varandas, os jardins assim como as coberturas ajardinadas sobre toda a área ampliada.
É através do epicentro deste complexo, a sala de estar, que se acede a uma antecâmara de distribuição para dois estúdios, ambos equipados com kitchenette, instalação sanitária e quarto/sala, e para um piso superior, também ele resultado da ampliação e que se compõe por um terceiro estúdio em tudo idêntico aos anteriormente descritos.

Revista Anteprojectos - Setembro 2018 - pg17 - 01

Este espaço habitacional é, portanto, composto por um total de onze suites e três estúdios. O volume edificado que se cria entre ambas as moradias existentes recria todo o espaço numa única unidade habitacional. No topo deste volume uma clarabóia cria ambientes de luz ímpares.
A cobertura do volume edificado que existe atualmente será reconfigurada, assumindo uma linguagem amansardada, revestida a chapa de zinco, enquanto a cobertura do espaço ampliado assume-se como um espaço verde que contribui para a qualidade da paisagem urbana.

Revista Anteprojectos - Setembro 2018 - pg17 - 02Revista Anteprojectos - Setembro 2018 - pg17 - 03A INOUTSIDE é um ateliê de arquitetura fundado em 2007 pelo arquiteto paisagista Rui Sá Correia. Em 2013 foi convidado a integrar a equipa o arquiteto Ivo Afonso que, desde então, assume a responsabilidade da conceção e coordenação de projetos de arquitetura.
Sediado em Lisboa, o seu core business foi, durante os primeiros anos, a arquitetura paisagista. A sua filosofia mantém-se, porém, inalterada: aceitamos a paisagem como um sistema holístico marcado por mecanismos regedores de um espaço que, ao longo da sua existência, naturalmente, encerra processos metamórficos.
Assimilar as relações identitárias que se estabelecem entre os sistemas biofísico, sociocultural e económico é um dos deveres de quem [re]cria paisagens. Assim, os arquitetos que integram a nossa equipa responsabilizam-se pela aplicação dos seus conhecimentos, com o propósito de assegurar a integração do artefacto arquitetónico na paisagem assim como a [re]criação de paisagens sustentáveis.
Se o objeto arquitetónico foi uma afirmação da supremacia do Homem perante o mundo natural e se, através do direito a essa supremacia, o Homem se foi apartando da paisagem que o acolheu, é também aceitável que hoje percebamos a necessi dade de integrar o artefacto arquitetónico na paisagem, ao invés de afastar o que deve coexistir.
Sempre que nos entregamos a um desafio, procuramos descodificar a mecânica regedora de todos os seus sistemas, para que as opções assumidas resultem em intervenções sustentáveis, equilibradas, dinâmicas e que vão ao encontro das exigências contemporâneas.

Projectos em carteira:
– Projeto para construção de uma unidade de turismo em espaço rural, Alenquer
– Projeto de reconstrução de prédio multifamiliar no Cais do Sodré, Lisboa
– Projeto de reconstrução e ampliação de prédio multifamiliar, Queluz

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