Espaço Público | Revitalizar os Centros Urbanos de Camarate, Loures e Moscavide

Barbara Delgado
2018 é o ano de viver o início da transformação dos centros urbanos, resultante da elaboração de Projectos de Arquitectura com base num Programa pluridisciplinar, dando forma ao processo de Revitalização, após as suas várias fases de consulta pública, iniciado no ano de 2015 e promovido pela Câmara Municipal de Loures.
Este processo revela-se exigente pela participação próxima, necessária entre todos os intervenientes e promotores, no compromisso de melhoria da qualidade de vida no espaço público.
Cada centro urbano tem as suas características intrínsecas, das quais se destacam: Camarate pelo seu núcleo e legado histórico, Loures por ser sede do Concelho e Moscavide pela sua dinâmica comercial, o que revela realidades e vivências próprias, logo as respostas projectuais são distintas, importando identificar e ler o território para potenciar a sua estrutura e essência primária.
O entendimento da singularidade, na adaptação do significado e valor do lugar, promovendo a mobilidade, acessibilidade e a sua identidade, resulta na clareza e ordenamento do espaço público.
Importa destacar a coordenação do projecto do espaço exterior integrado com a complexidade de especialidades técnicas envolvidas, procurando evitar o risco da banalização das soluções, e conseguir uma intervenção maior, que permita garantir a multifuncionalidade e novas apropriações.
Na área metropolitana de Lisboa, em Loures, a acção de carácter transformador, nestes centros urbanos, é feita a uma escala controlada, no núcleo nevrálgico do tecido urbano e pretende ser motor e sinal de mudança sem se confinar aos seus limites físicos, servindo de modelo transformador de possíveis novas vivências.
As equipas de projecto promovem o compromisso claro entre o público e o privado procurando fomentar novas centralidades e dar espaço a novos equilíbrios ambientais, sociais e económicos.
Estes três lugares públicos são representativos da diversidade, da cultura e identidade destes territórios, que se tornam um capital regenerador na promoção de espaços de maior qualidade e valor acrescentado, num sentido integrador de recentrar e defender uma vivência democrática, na promoção da acessibilidade e redesenho da “cidade” enquanto desafio urbano de qualidade para todos. “A cidade conhece-se e reconhece-se pelos seus centros. Toda a cidade é histórica, é o espaço que contém o tempo.” (*)
O desafio urbano de regenerar centros degradados e criar novas centralidades à escala metropolitana trabalhando os tecidos urbanos e promovendo a sua polivalência e transformação de usos, apresenta-se como um investimento social e funcional, que atinge o seu objectivo pleno quando reforça o comércio local e promove a cultura e a identidade do lugar.
(*) Jordi Borja com colaboração de Zaida Muxi: Fazer Cidade na Cidade Actual. Centros e Espaços Públicos como Oportunidades. Espaço Público e a Interdisciplinaridade. Edição Centro Português de Design, (2000). ISBN 972-9445-117

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