Leandro Ferreira Pereira Professor e Empresário

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Inicia-se em setembro de 2018, a 12ª edição do Executive Master em Gestão de Programas e Projetos do INDEG-ISCTE, liderado pelo Professor Leandro Ferreira Pereira. O executivo transmontano, natural de Valpaços, consagrou-se na complexa área de Gestão Científica sendo, atualmente, um gestor de referência reconhecido a nível nacional.
Em 2012 fundou a WINNING Scientific Management, uma empresa de consultoria de gestão, que nasceu no pior período da crise económico-financeira da Europa e que hoje é já considerada uma referência a nível europeu. Fruto do seu percurso académico e profissional o Professor Leandro Ferreira Pereira, foi o Grande Vencedor da iniciativa Best Team Leaders, organizada em parceria com a Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas, que o consagrou como o Melhor Gestor em 2017. Paralelamente, a WINNING foi distinguida como PME Líder, PME Excelência e Herói PME.

Nesta edição a ANTEPROJECTOS quer perceber a fórmula do sucesso do Melhor Gestor do Ano.

Na sua opinião, o que significa uma gestão de sucesso?
Acima de tudo um Gestor deve implementar processos que não permitam a tomada de decisões com base em dogmas e pressupostos, opiniões emocionais, ou tão-pouco a arrogância de não querer “ver o básico” ou insistir em não querer mudar de opinião, quando tudo é evidente. Deve privilegiar a lógica, os métodos indutivo/dedutivo e a força dos factos, do laboratório ou da inteligência de grupo. O maior erro das organizações são os pressupostos convertidos em atos de fé, sem qualquer base sustentada de verificação, experimentação ou cientificidade. Perante um desafio, o gestor deve aplicar métodos científicos de identificação do problema-raiz, aquele que efetivamente origina o impacto. Os problemas devem ser diagnosticados, isolados de forma objetiva, avaliados os respetivos sintomas na tentativa do entendimento profundo das causas que os originam, e face a estas, traçar os planos de intervenção. Na WINNING aplicamos, convictamente, estas metodologias e a nossa estratégia tem-nos permitido um crescimento ambicioso e sustentado. Os nossos resultados são o fruto da aplicação destes métodos infalíveis em têm sido bem-sucedidos.

Quais são as maiores dificuldades de gestão com que se depara, no seu trabalho?
Moderar egos e gerir conflitos nomeadamente em duas situações particulares, quando as pessoas põe o seu benefício individual à frente do benefício da equipa ou quando falham continuamente com aquilo que se acorda que se vá fazer.

Conciliar as aspirações pessoais e/ou profissionais dos colaboradores com os objetivos da organização, não é uma tarefa fácil. Como deve posicionar-se um gestor, de modo a facilitar essa conciliação?
O segredo passa por adotar uma política de conciliação que tenta abranger, de forma equilibrada, as diferentes esferas de vida dos nossos colaboradores: vida profissional, pessoal, familiar e académica. Esta conciliação contribui para promover a igualdade de género, explorar plenamente as potencialidades e o talento dos colaboradores, aumentar a flexibilidade e conferir à empresa um trunfo e uma singularidade que nos diferencia, fortemente, em relação aos nossos concorrentes. Assumo esta responsabilidade com muito entusiasmo e com uma enorme confiança na equipa extraordinária, com a qual sei que posso contar.

Que opinião tem da liderança e da gestão em Portugal, sobretudo nas empresas portuguesas?
É caso para relembrar a célebre frase do Peter Drucker: “My greatest strength as a consultant is to be ignorant and ask a few questions.”
A Quarta Revolução Industrial – período que estamos a atravessar – está a intensificar aquilo a que podemos chamar de dinamismo e velocidade dos meios envolventes, sendo a principal consequência desta, a crescente complexidade e competitividade que vivemos atualmente. Todos os dias surgem novos competidores no mercado. A Gestão de Topo e os seus Líderes têm o desafio de garantir a sobrevivência e sustentabilidade das suas empresas, vendo-se forçados a um constante processo de reinvenção e adaptação, como única alternativa para perdurar no tempo. Seja em Portugal, ou em qualquer outra parte do mundo, um Gestor deve implementar processos que não permitam a tomada de decisões com base em dogmas e pressupostos, opiniões emocionais, ou tão-pouco a arrogância de não querer “ver o básico” ou insistir em não querer mudar de opinião, quando tudo é evidente. Deve privilegiar a lógica, os métodos indutivo/dedutivo e a força dos factos, do laboratório ou da inteligência de grupo. O maior erro das organizações são os pressupostos convertidos em atos de fé, sem qualquer base sustentada de verificação, experimentação ou cientificidade. Perante um desafio, o líder deve aplicar métodos científicos de identificação do problema-raiz, aquele que efetivamente origina o impacto. Os problemas devem ser diagnosticados, isolados de forma objetiva, avaliados os respetivos sintomas na tentativa do entendimento profundo das causas que os originam, e face a estas, traçar os planos de intervenção. No meu dia-a-dia aplico, convictamente, estas metodologias.

Tem aprendido, para o seu papel de gestor, com o que vê por cá neste âmbito?
Eu tento ser um aprendiz permanente. Tento aprender todos os dias, continuamente, com todos os exemplos: os bons e os maus. Neste âmbito, deixe-me referir, por exemplo, dois exemplos: o presentismo e a desmotivação. Estes são dois dos temas com mais impacto na produtividade das organizações. Com a atual situação económica, os níveis de competitividade e exigência de mercados cada vez mais globais, elevados índices de desemprego no nosso país, muitos colaboradores têm uma presença excessiva no local de trabalho, sem que estejam efetivamente a criar valor. Fazem-no por pressão social, para ficarem bem vistos pelas chefias ou por receio de perderem o emprego. O presentismo têm um impacto elevadíssimo na economia e estima-se que seja, atualmente, 3 vezes superior ao custo do absentismo. No meu dia-a-dia, enquanto gestor de uma empresa procuro, ativamente, desenvolver a produtividade organizacional e a vantagem competitiva sustentável, incorporando skills de alto desempenho e práticas de liderança através da identificação de lacunas no desempenho organizacional sobre competências de high peformance, a nível técnico, funcional e de gestão. As pessoas felizes são muito mais produtivas, e os líderes das organizações têm aqui um papel fundamental para mobilizar, motivar, acompanhar e desenvolver as suas pessoas e no fim do dia, ficamos todos melhor.

Como se liga o projeto da WINNING à sua carreira académica no ISCTE?
Utilidade estratégica e prática! Foi este o ponto de partida para a criação da empresa. Eu tinha o sonho de poder aproximar o ensino teórico e académico que pratico no ISCTE às necessidades reais das empresas e dos seus gestores. E esta simbiose é perfeita em ambos os sentidos. Por um lado, levo para a academia casos reais de problemas de terreno e, por outro lado, trago da academia inspiração, conhecimento e desafios que ajudam a revitalizar a WINNING em permanência.

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