Acupuntura Urbana

Apresentação 1

O conceito de Acupuntura Urbana, criado pelo arquiteto e teórico social finlandês Marco Casagrande faz parte de uma teoria de ecologia urbana, que combina desenho urbano com a tradicional teoria médica chinesa da acupuntura. No Brasil, o lançamento da acupuntura urbana foi realizado pelo arquiteto e urbanista Jaime Lerner em Curitiba. Não sendo novo este conceito considero que cada vez mais deve ser este o caminho. Passo a explicar.
Os territórios e as cidades encontram-se em constante transformação. Este é desde logo um aspeto que temos que ter em consideração. O que é o centro hoje daqui a 100 anos pode ser periferia e pode daqui a 200 anos voltar a ser centro.
A intervenção no território torna-se cada vez mais condicionada por diversos aspetos: condicionantes regulamentares, desenvolvimento urbano, limitações no investimento. Este último aspeto tem sido um dos mais condicionantes nos últimos anos, contudo como alguém já disse: “criatividade é quando nos tiram um zero no orçamento”. Por isso temos um maior desafio para os técnicos.
A acupuntura é a aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo para tratar doenças e para promover saúde.
Estas agulhas, quando aplicadas sobre algumas regiões específicas são capazes de tratar diversas doenças físicas ou emocionais.
Por isso se transferiu o conceito para o território tendo-se assim denominado acupuntura urbana, ou seja, pontuais ou pequenas intervenções que podem potenciar alterações positivas em zonas do território ou mesmo cidades. Existem casos de sucesso muito interessantes, contudo a sua replicação tem que ser muito cuidada, dado que cada território e cidade tem as suas particularidades e especificidades que têm sempre que ser consideradas.
Quando se perspetiva uma intervenção num território, por mais “pequena” que seja à partida será muito relevante verificar o impacte que terá. Ai temos que ter uma equipa multidisciplinar para analisar tanto o âmbito da intervenção como o seu efeito.
Assim considero que deve começar a existir uma maior preocupação das entidades dinamizadoras nos territórios na fase de projeto, ou seja, existir maior capacidade de análise e tempo disponível nesta fase que levará a estudar melhor as intervenções, podendo levar a na fase de execução a necessitar um investimento mais reduzido.
Devemos estudar os nossos territórios, verificar o existente e perspetivar a sua evolução, assim podemos ter propostas que criem novas dinâmicas e controlem, positivamente, a evolução das cidades. É um desafio, mas cativa!

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