Beneficiação Geral, Construção de Refeitório e Espaços Exteriores da Escola Básica dos Coruchéus

Apresentação 1

A intervenção atualmente em curso na Escola Básica dos Coruchéus visa responder à solicitação de beneficiação geral do complexo escolar com um discurso harmónico e desenhado para respeitar o existente, não só retirando partido das suas características espaciais de reconhecido valor arquitetónico, mas também adaptando-as às necessidades programáticas do ensino contemporâneo. Tendo como objetivo a melhoria das condições existentes, a proposta de requalificação desta estrutura envolveu não só um processo de reaproveitamento de elementos espaciais com qualidade e passiveis de recuperação, bem como a adaptação dos mesmos aos requisitos atuais de conforto (térmicos e acústicos) subjacentes às diferentes atividades pedagógicas; a remodelação de todo o sistema elétrico e a introdução de um sistema de telecomunicações adaptado aos novos métodos de ensino.

Por outro lado, a abordagem ao novo programa centrou-se em três ideias-base essenciais para a redefinição do novo conjunto escolar:

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A primeira ideia, entendida como força motriz de todo o projeto, tem na sua origem o entendimento do recreio enquanto espaço principal de encontro e socialização da comunidade escolar. Transversais a todas as idades, é no desenho dos espaços vazios que se vai estruturar a interação dos volumes existentes com os volumes do novo programa, permitindo redefinir a organização funcional da escola através do exterior. Trata-se da construção dos espaços exteriores para a escola e para os distintos momentos que esta serve, assegurando que o desenho dos diferentes pátios, dos espaços cobertos e descobertos, do campo de jogos e da galeria de passagem, embora diferentes nos seus ambientes, se leiam em total continuidade, restabelecendo a unidade do conjunto.

A segunda ideia diz respeito à relação da escola com o lugar onde se insere. Para isso, procurou-se repensar os limites máximos do lote, o sistema de vistas, o toque com o chão e com a mancha verde, dando primazia não só ao espaço de recreio nas suas múltiplas facetas, projetado numa relação estreita entre a volumetria escolar e a que lhe está contígua, mas também ao espaço ajardinado envolvente que recebe tanto quem chega à escola como quem dela se acerca.

Nesta relação com o envolvente, sublinha-se o indispensável vínculo entre a escola e a estrutura verde existente que envolve e protege o espaço educacional e confere ao mesmo a designação de oásis no meio do tecido urbano, cuja presença se considera essencial conservar e intensificar.

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A terceira ideia diz respeito à articulação do programa proposto – os novos espaços exteriores, o espaço polidesportivo que surge através do desenho destes e o novo refeitório – com o programa existente – o corpo de salas de aula e direção/administração e a biblioteca/sala polivalente. Simulando, desta forma, a espacialidade diversificada descoberta no bairro onde este conjunto se inscreve e coligando as valências existentes às novas funcionalidades. A construção dos novos elementos permite não só responder a necessidades específicas da escola, desde infraestruturas técnicas às questões de mobilidade e segurança, comunicantes entre si e plenamente articulados com os espaços de recreio e lazer, bem como oferecer um conjunto de espaços coeso e de fruição total para a comunidade escolar.

 

imagem gabinete projetistalogo atelier bugioJoão Favila Menezes, nasceu em Coimbra em 1966.
Arquitecto pela FAUTL em 1992 é, desde 1998, sócio e Arquitecto Coordenador do Atelier Bugio, em Lisboa.
Desenvolveu vários projectos no âmbito da habitação e turismo, nomeadamente a ampliação do Hotel do Porto Santo e a (#1) Estalagem da Quinta da Casa Branca no Funchal.
Recebeu o prémio anual de recuperação da Associação Portuguesa de Municípios e Centros Históricos pela recuperação e reconversão em restaurante do Forte da N.ª Sr.ª da Conceição no Funchal, em 1997, e o prémio municipal de Arquitectura da cidade do Funchal, em 1998, com o projecto da (#1) Estalagem da Quinta da Casa Branca.
Em 2004 foi convidado para a exposição “Arquitectura e Design de Portugal 1990|2004” no edifício da Triennale no Palazzo Dell’Arte em Milão, onde participou, promovida por S. Ex.ª Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio.
João Favila Menezes foi professor convidado da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Évora, entre 2006 a 2012.
Em 2009 foi convidado convidado para a exposição “Over Lappings: Six Portuguese Architecture Studios” pela Royal Institute of British Architects (RIBA), Londres, e em 2010 para a exposição “Sola Paments” 6 estudis d’arquitectura portuguesos pelo col-legi D’arquitectes de Catalunya COAC Barcelona.
Em 2011 lança a monografia “Atelier Bugio João Favila Menezes”.
Foi convidado em 2012 para representar Portugal na 13th International Architecture Exhibition, Bienal de Veneza, no âmbito, “LISBON GROUND”, mesa 03, acessibilidades à colina do castelo.
Em 2015, retomou a sua actividade académica, leccionando na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa até ao momento.
Em 2016, desenvolve diversos projectos na área da reabilitação, tais como a recuperação de uma habitação na zona histórica do Castelo e a reconversão em unidade hoteleira do Palácio da Rosa, ambos em Lisboa.
João Favila Menezes encontra-se a desenvolver também um conjunto de três percursos assistidos por meios mecânicos (#2), relativos às acessibilidades entre a parte baixa da cidade e o topo da Colina do Castelo de São Jorge, que têm por base o Plano de Acessibilidade Suave e Assistida à Colina do Castelo, promovido no âmbito da candidatura QREN – MOBILIDADE TERRITORIAL. Este plano, actualmente em fase de construção, compreende o percurso da Graça, que pretende ligar o Miradouro Sophia de Mello Breyner Andersen à Alta Mouraria através de um funicular; o Percurso da Mouraria, cuja ligação contínua, composta por 3 troços de escadas rolantes, ligará o Martim Moniz ao Castelo de São Jorge; e o Percurso da Sé, que preconiza a ligação entre o Campo das Cebolas e o Largo da Sé, através da introdução de um elevador.
Recentemente integrou o Gabinete da Cidade juntamente com os arquitectos Paulo David e Gonçalo Byrne, um novo projecto promovido pela Câmara Municipal do Funchal cujo objectivo consiste na reabilitação/regeneração da cidade.

#1 – Co-autoria de Teresa Góis Ferreira, Luís Felipe Rosário e João Matos
#2 – Co-autoria de Pedro Domingos, Pedro Matos Gameiro e João Simões

Projectos em carteira:
- Projeto habitacional da Casa no largo de Santa Cruz do Castelo;
– Unidade hoteleira em Aljezur;
– Plano Geral de Acessibilidades Suaves e Assistidas à Colina do Castelo.

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