Memória Aberta: Revitalização da Fábrica Sampaio, Ferreira e CIA. LDA.

IMAGEM CAPA

A abordagem para revitalizar a Fábrica Sampaio Ferreira centrou-se na exposição da memória do lugar e a atividade industrial que desenvolveu a região. Numa primeira análise, ao invés de se conferir um uso específico para cada edifício abandonado, foram estabelecidos vínculos entre os edifícios existentes e a envolvente, bem como entre as diferentes escalas do conjunto urbano e os momentos de intervenção.

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Desse modo, foi criada uma relação permeável com o meio envolvente e urbano através da definição de momentos de quebra ao longo do conjunto como elos de comunicação visual. Assim, os espaços livres criados constituem um importante elemento na representação de uma ideia para o conjunto, em que as construções e o vazio que as envolve se complementam.

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Partindo de um princípio de disposição dos edifícios ao longo de um caminho interior que se resolve em praças e espaços verdes, a proposta assume um caráter público que a define. A partir destes momentos de ligação, é possível ver, nos intervalos dos edifícios, a paisagem natural a Oeste com o movimento constante do Rio Ave criando uma atmosfera onde a envolvente e o conjunto industrial se unem num diálogo de partes que se correspondem de forma aberta. Assim, a articulação do espaço realiza-se através de elementos como rampas, passeios, espaços verdes e praças que devolvem a ideia de vale urbano, o caráter público, as dinâmicas sociais e a experiência urbana a uma área abandonada na sua temporalidade.

Memória Aberta é assim uma proposta criativa numa arquitetura industrial abandonada que se pretende como um lugar de caráter público onde seja possível conhecer a memória industrial ao mesmo tempo que se experiencia a essência natural do Vale do Ave.

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A reabilitação deste conjunto passa também pela abertura do complexo industrial ao quotidiano de Riba D’Ave. Para isso foram reabilitados percursos outrora industriais, que conectam os diversos pavilhões ao longo de um eixo longitudinal definido pelos imponentes muros de pedra pré-existentes, pontualmente marcados por pontos de ligação vertical entre os diferentes níveis do terreno. Numa cota inferior, o percurso de carácter mais técnico conecta as diferentes partes deste conjunto permitindo o acesso para cargas e descargas sem coincidir com os percursos comuns que se desenvolvem em paralelo numa cota superior ao longo de um arruamento também pré-existente. No sentido norte-sul surge a ponte de passagem pedonal e ciclável que rasga este conjunto ao meio e encurtando as relações entre as duas margens. Deste rasgo resulta também a criação de uma praça onde a verticalidade da chaminé anuncia o início experiência museológica.

 

OR-A FOTOLOGOCom atividade desde 2015, João Oliveira e Rafael Ramalho Arquitetos é uma prática de arquitetura que atua em diferentes escalas, de instalações temporárias a intervenções urbanas.
O trabalho procura centrar o rigor técnico e a pesquisa como fatores decisivos no desenvolvimento de respostas para as diferentes questões urbanas, promovendo o uso coletivo dos espaços construídos – públicos ou privados – e a integração entre as intervenções e o ambiente em que se inserem.
Se por um lado os projetos são resultado de uma equação que combina programa, localização, legislação, orçamento e prazo, por outro, é essencialmente do cliente e das suas intenções que se recebe a inspiração necessária para desenvolver um projeto com uma identidade marcante.

Projectos em carteira:
– Reabilitação de Duas Habitações Unifamiliares, Póvoa de Varzim
– Habitação Unifamiliar, Covilhã

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