Turbine City
- Publicado em 18-08-2010, por Carlos Diniz
- Arquitectura | Destaque | Reportagens
No ano de 2008, por coincidência inesperada tive a oportunidade de ler num jornal internacional um artigo interessante relativo a um acordo entre os países da União Europeia em comprometerem-se a derivar 20% do seu consumo total de energia até 2020 a partir de energias renováveis. Uma estatística ambiciosa em que Portugal se encontrava em boa posição (em 2008, 20% da energia nacional interna era derivada de energias renováveis), mas em contrapartida surgia a Noruega numa posição bastante desfavorável com apenas 5%. Foi nessa altura que os OnOffice tiveram interesse em investigar as razões pela qual um país como a Noruega tão avançado cultural e tecnologicamente não conseguiria alcançar uma meta acordada.
Rapidamente apercebemo-nos que a o tempo, a geografia e a tecnologia avançada Norueguesa deveriam ser aproveitados na exploração de energia eólica. Quando tivemos a possibilidade de consultar o mapa europeu com as correntes de vento, constatamos que a segunda corrente mais forte de vento na Europa (9.6 – 10.3m/S) passa precisamente pela costa Norueguesa. A única corrente mais forte do que esta passa pela costa do Reino unido com uma capacidade de 10.3 a 11.41 m/s.
Paralelamente apercebemo-nos que a costa Norueguesa é a mais longa da Europa, com 25148km em linha recta. Em segundo lugar vem a costa do Reino Unido com 12429km, quase metade da Norueguesa. Outro diagrama curioso é relativo á saturação da Costa dos países europeus com estruturas offshore. A costa do Reino Unido é a mais saturada com 590MW em turbinas eólicas, em segundo lugar vem a Dinamarca com 409MW e a Noruega em último lugar com apenas 3MW. Uma diferença bastante desaproveitada dado as suas características particulares…
Continuando a investigação com elementos pertinentes para tentar compreender a fraca contribuição Norueguesa no tema das energias renováveis, deparamos com as características da energia hidráulica. A energia hidráulica e a energia eólica são consideradas os “melhores parceiros”. Quando o vento é forte, as barragens são encerradas para acumular água, e quando o vento é fraco as comportas são abertas para compensar a acumulação energética.
No ano de 2008 a Noruega produzia 50% da energia hidráulica em toda a Europa.
Outra qualidade desconhecida Norueguesa é o vasto conhecimento em construções offshore devido às explorações petrolíferas em cidades como Stavanger, conhecida como Capital do petróleo.
Após esta primeira investigação colocamo-nos uma questão bastante importante:
Se a Noruega tem uma costa extremamente ventosa, tem a costa mais longa da Europa, a costa menos saturada, se já tem uma “parceria” com a energia hidráulica, e tem conhecimento em construções offshore, porque se encontra numa posição tão aquém das expectativas da EU?
Na nossa opinião os parques eólicos offshore estão a encontrar grande resistência, sobretudo por má informação ou por cepticismo injustificado. Vários parques eólicos propostos para a costa Norueguesa foram todos criticados e consequentes cancelados pelos seus habitantes, pois os consideravam de barulhentos, visualmente incomodativos, perigosos, etc…
A Noruega é um país que apresenta um sistema político/social horizontal. Significa isto que para qualquer projecto avançar necessita de ter todos os intervenientes de acordo. Quando se trata de um projecto nacional, onde tantas vozes têm de ser ouvidas o processo espera-se longo, demorado e paciente…Nós tínhamos plena consciência do desafio com que estávamos a lidar…
No dia 15 de Junho de 2008, para comemorar o dia Europeu do Vento, mais de 100 empresas eólicas abriram as suas portas ao público com a intenção de sensibilizar todos os interessados sobre a execução destas estruturas bem como as suas vantagens e desvantagens, sob ponto de vista social, económico e energético. Foi um autêntico sucesso com imensas pessoas a aderirem á iniciativa e a melhorar a ideia que tinham do impacto das turbinas eólicas.
As turbinas eólicas ao longo dos anos, têm aumentado consideravelmente de tamanho pois tecnicamente tornam-se mais rentáveis e eficazes. Desde a modesta primeira turbina eólica que apenas produzia 12KW até às turbinas da actualidade que produzem até 8MW. Para ter esta capacidade as turbinas alcançaram determinada dimensão que é possível serem habitáveis… Quando estas turbinas formam os designados, parques eólicos tornam-se bastante cénicas, como elementos industriais plantados no meio do oceano, tendo grande potencial para o turismo. Exemplo disso é o parque eólico Horns Rev na Dinamarca.
Porque não combinar Turismo com Energia?
Desta forma a arquitectura poderia ter um papel fundamental na concepção das turbinas eólicas. Além da produção energética estas estruturas poderiam tirar partida da sua capacidade, função e dimensão e oferecer ao público interessado a oportunidade de as visitar pelas mais diversas razões. Através de um maior conhecimento, iria com certeza alterar a ideia da população sobre as suas capacidades: apercebiam-se que as turbinas offshore são relativamente silenciosas, bastante seguras, invisíveis da linha de costa e com reduzido impacto ambiental.
A Noruega iniciou a especulação destes parques eólicos com um total de capacidade aproximadamente de 8000MW.
O investimento desta aventura na ordem dos 220 biliões de coroas Norueguesas pode ser rapidamente alcançado com a exportação do petróleo existente no país em apenas 6 meses.
O que a Noruega agora precisa é de desenvolver um projecto pioneiro de um parque eólico que vá além da necessidade energética mas sim, que tenha em consideração o factor social e turístico que um projecto desta magnitude pode conciliar.
Ai surge o projecto Turbine City apresentado pelo escritório OnOffice.
O projecto Turbine City será implementado em Stavanger, precisamente no cruzamento da segunda corrente de vento mais forte da Europa.
O turismo depende da população, e Stavanger é a quarta maior cidade da Noruega com uma população de 117315 habitantes. Turismo também depende de ligações internacionais, onde Stavanger possui um excelente aeroporto com varias conexões diárias para as principais cidades Europeias.
Stavanger poderia criar uma imagem de referência, quase como um “statement” designado de revolução sustentável capaz de ser comparável a outros símbolos europeus, como a torre Eiffel em Paris, o Coliseu de Roma, o Big Ben em Londres, etc
Esta magnitude poderia ser inserida em alto mar sem nunca colidir com a escala característica do seu centro histórico.
Do projecto fazem parte duas turbinas com um programa inserido. Uma seria um hotel, onde os visitantes poderiam desfrutar da experiência de estar entre estas estruturas. Apenas uma turbina eólica seria suficiente para tornar todo o hotel sustentável energeticamente, pois essa mesma turbina (8MW) tem capacidade para abastecer 70 moradias familiares, o suficiente para um hotel de 150 quartos.
A outra turbina seria um museu e uma sala de congressos, onde poderia presenciar exposições e discussões relacionadas sobre temas sociais, económicos e energéticos.
Seria um parque eólico memorável que iria concentrar atracções de vários países e culturas. Iria com certeza contribuir no melhoramento do conhecimento geral das populações deste tipo de estruturas onde as vantagens são inquestionavelmente superiores às desvantagens.
Como arquitecto, acredito ser fundamental investigar a possibilidade de adicionar algo mais a sistemas de função única. Ultrapassar a convencionalidade de estruturas e delinear uma estratégia inteligente e atípica no melhoramento de padrões dos quais todos nós somos responsáveis.
Gabinete:

ONOFFICE
Largo Alexandre Sá Pinto 44,C3
4050 – 027
Porto – Portugal
Tel: + 351 226094499
Fax: + 351 226094499
www.onoffice.no
ONOFFICE foi fundado em 2008 por João Vieira Costa e Leon Rost.
Em 2009 Ricardo Guedes e Francesco Moncada juntaram-se ao escritório.
ONOFFICE oferece uma prática projectual e estratégica na área da arquitectura e do urbanismo. A sua área de intervenção abrange todas as escalas, programas e contextos geográficos, de acordo com um processo, estratégia e teoria em constante maturação.
ONOFFICE não tem uma só escala de intervenção: nós vemos a Arquitectura como o fulcro de um gradiente contínuo que se estende desde mobiliário ergonómico e desenho industrial até a incisões urbanas e tácticas globais.
ONOFFICE é multi-programático.
O nosso processo exige uma investigação robusta e assertiva, uma experimentação minuciosa e comunicação sincera em constante colaboração com talentos multidisciplinares e internacionais.
Transformando obstáculos em vantagens, manipulamos estrategicamente as 1001 facetas dos problemas de projecto, sejam relacionadas com implantação, estrutura, custos ou sustentabilidade, numa solução coerente e tangível. Agora, na encruzilhada das mudanças económicas, sociais e ambientais, nós vemos uma Arquitectura de qualidade como um dever profissional e moral.
ONOFFICE reúne uma experiencia sólida conformada em escritórios de arquitectura como Plot (Dinamarca), JDS (Dinamarca), OMA (Holanda), NL Architects (Holanda), MVRDV (Holanda), Shigeru Ban (Japão), kDa (Japão), KSARK (Suécia), CODE (Noruega), Space Group (Noruega); Balonas Arquitectos (PT) e experiência académica na Faculdade de Arquitetura e Design de Oslo – AHO.
ONOFFICE está actualmente em colaboração com vários projectos em Portugal, Noruega, Emirados Árabes Unidos, Turquia, Brasil e Peru.
O escritório ONOFFICE iniciou-se em Oslo – Noruega, transferindo-se recentemente para o Porto-Portugal.
No ano de 2008, por coincidência inesperada tive a oportunidade de ler num jornal internacional um artigo interessante relativo a um acordo entre os países da União Europeia em comprometerem-se a derivar 20% do seu consumo total de energia até 2020 a partir de energias renováveis. Uma estatística ambiciosa em que Portugal se encontrava em boa posição (em 2008, 20% da energia nacional interna era derivada de energias renováveis), mas em contrapartida surgia a Noruega numa posição bastante desfavorável com apenas 5%. Foi nessa altura que os OnOffice tiveram interesse em investigar as razões pela qual um país como a Noruega tão avançado cultural e tecnologicamente não conseguiria alcançar uma meta acordada.
Rapidamente apercebemo-nos que a o tempo, a geografia e a tecnologia avançada Norueguesa deveriam ser aproveitados na exploração de energia eólica. Quando tivemos a possibilidade de consultar o mapa europeu com as correntes de vento, constatamos que a segunda corrente mais forte de vento na Europa (9.6 – 10.3m/S) passa precisamente pela costa Norueguesa. A única corrente mais forte do que esta passa pela costa do Reino unido com uma capacidade de 10.3 a 11.41 m/s.
Paralelamente apercebemo-nos que a costa Norueguesa é a mais longa da Europa, com 25148km em linha recta. Em segundo lugar vem a costa do Reino Unido com 12429km, quase metade da Norueguesa. Outro diagrama curioso é relativo á saturação da Costa dos países europeus com estruturas offshore. A costa do Reino Unido é a mais saturada com 590MW em turbinas eólicas, em segundo lugar vem a Dinamarca com 409MW e a Noruega em último lugar com apenas 3MW. Uma diferença bastante desaproveitada dado as suas características particulares…
Continuando a investigação com elementos pertinentes para tentar compreender a fraca contribuição Norueguesa no tema das energias renováveis, deparamos com as características da energia hidráulica. A energia hidráulica e a energia eólica são consideradas os “melhores parceiros”. Quando o vento é forte, as barragens são encerradas para acumular água, e quando o vento é fraco as comportas são abertas para compensar a acumulação energética.
No ano de 2008 a Noruega produzia 50% da energia hidráulica em toda a Europa.
Outra qualidade desconhecida Norueguesa é o vasto conhecimento em construções offshore devido às explorações petrolíferas em cidades como Stavanger, conhecida como Capital do petróleo.
Após esta primeira investigação colocamo-nos uma questão bastante importante:
Se a Noruega tem uma costa extremamente ventosa, tem a costa mais longa da Europa, a costa menos saturada, se já tem uma “parceria” com a energia hidráulica, e tem conhecimento em construções offshore, porque se encontra numa posição tão aquém das expectativas da EU?
Na nossa opinião os parques eólicos offshore estão a encontrar grande resistência, sobretudo por má informação ou por cepticismo injustificado. Vários parques eólicos propostos para a costa Norueguesa foram todos criticados e consequentes cancelados pelos seus habitantes, pois os consideravam de barulhentos, visualmente incomodativos, perigosos, etc…
A Noruega é um país que apresenta um sistema político/social horizontal. Significa isto que para qualquer projecto avançar necessita de ter todos os intervenientes de acordo. Quando se trata de um projecto nacional, onde tantas vozes têm de ser ouvidas o processo espera-se longo, demorado e paciente…Nós tínhamos plena consciência do desafio com que estávamos a lidar…
No dia 15 de Junho de 2008, para comemorar o dia Europeu do Vento, mais de 100 empresas eólicas abriram as suas portas ao público com a intenção de sensibilizar todos os interessados sobre a execução destas estruturas bem como as suas vantagens e desvantagens, sob ponto de vista social, económico e energético. Foi um autêntico sucesso com imensas pessoas a aderirem á iniciativa e a melhorar a ideia que tinham do impacto das turbinas eólicas.
As turbinas eólicas ao longo dos anos, têm aumentado consideravelmente de tamanho pois tecnicamente tornam-se mais rentáveis e eficazes. Desde a modesta primeira turbina eólica que apenas produzia 12KW até às turbinas da actualidade que produzem até 8MW. Para ter esta capacidade as turbinas alcançaram determinada dimensão que é possível serem habitáveis… Quando estas turbinas formam os designados, parques eólicos tornam-se bastante cénicas, como elementos industriais plantados no meio do oceano, tendo grande potencial para o turismo. Exemplo disso é o parque eólico Horns Rev na Dinamarca.
Porque não combinar Turismo com Energia?
Desta forma a arquitectura poderia ter um papel fundamental na concepção das turbinas eólicas. Além da produção energética estas estruturas poderiam tirar partida da sua capacidade, função e dimensão e oferecer ao público interessado a oportunidade de as visitar pelas mais diversas razões. Através de um maior conhecimento, iria com certeza alterar a ideia da população sobre as suas capacidades: apercebiam-se que as turbinas offshore são relativamente silenciosas, bastante seguras, invisíveis da linha de costa e com reduzido impacto ambiental.
A Noruega iniciou a especulação destes parques eólicos com um total de capacidade aproximadamente de 8000MW.
O investimento desta aventura na ordem dos 220 biliões de coroas Norueguesas pode ser rapidamente alcançado com a exportação do petróleo existente no país em apenas 6 meses.
O que a Noruega agora precisa é de desenvolver um projecto pioneiro de um parque eólico que vá além da necessidade energética mas sim, que tenha em consideração o factor social e turístico que um projecto desta magnitude pode conciliar.
Ai surge o projecto Turbine City apresentado pelo escritório OnOffice.
O projecto Turbine City será implementado em Stavanger, precisamente no cruzamento da segunda corrente de vento mais forte da Europa.
O turismo depende da população, e Stavanger é a quarta maior cidade da Noruega com uma população de 117315 habitantes. Turismo também depende de ligações internacionais, onde Stavanger possui um excelente aeroporto com varias conexões diárias para as principais cidades Europeias.
Stavanger poderia criar uma imagem de referência, quase como um “statement” designado de revolução sustentável capaz de ser comparável a outros símbolos europeus, como a torre Eiffel em Paris, o Coliseu de Roma, o Big Ben em Londres, etc
Esta magnitude poderia ser inserida em alto mar sem nunca colidir com a escala característica do seu centro histórico.
D
o projecto fazem parte duas turbinas com um programa inserido. Uma seria um hotel, onde os visitantes poderiam desfrutar da experiencia de estar entre estas estruturas. Apenas uma turbina eólica seria suficiente para tornar todo o hotel sustentável energeticamente, pois essa mesma turbina (8MW) tem capacidade para abastecer 70 moradias familiares, o suficiente para um hotel de 150 quartos.
A outra turbina seria um museu e uma sala de congressos, onde poderia presenciar exposições e discussões relacionadas sobre temas sociais, económicos e energéticos.
Seria um parque eólico memorável que iria concentrar atracções de vários países e culturas. Iria com certeza contribuir no melhoramento do conhecimento geral das populações deste tipo de estruturas onde as vantagens são inquestionavelmente superiores às desvantagens.
Como arquitecto, acredito ser fundamental investigar a possibilidade de adicionar algo mais a sistemas de função única. Ultrapassar a convencionalidade de estruturas e delinear uma estratégia inteligente e atípica no melhoramento de padrões dos quais todos nós somos responsáveis.

